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Adeus
ao mestre!
Hoje
nos despedimos de um dos grandes pesquisadores em
Psicologia Social
e Organizacional do Brasil. Nesse momento
de profunda
tristeza
pela perda
tenho a tarefa
gratificante
de homenagear
esse
grande professor,
orientador,
colega
e amigo.
Lembrar
das suas
realizações
é um
conforto,
pois elas me fazem perceber o quanto ele
permanece vivo nas
suas
publicações, nas lições
aprendidas pelos muitos de
seus alunos
e nas reflexões
que
ainda incomodam
aqueles
que tiveram a
oportunidade
de ter um debate científico com ele.
Desde a
década de 1970, Alvaro contribuiu
para o desenvolvimento
científico da
Psicologia
no país através de
um
número expressivo
de publicações, do seu
trabalho
como professor e do
desempenho
de funções administrativas. Ele concluiu o seu
doutoramento em
1970 na Université Catholique de Louvain (Bélgica) e
imediatamente
buscou vínculo
com
uma instituição de
ensino.
Segundo ele,
naquela época havia
vários
anúncios e os
doutores
eram raros.
Assim, havia uma boa quantidade
de oportunidades
e os recém-doutores escolhiam o que lhes parecia melhor,
ele escolheu ir
para o Canadá. Quando
no Canadá recebeu convite
para
vir ao Brasil e depois
de visitar algumas
cidades, se decidiu por
Brasília. Iniciou suas atividades
na Universidade de Brasília e
decidiu ficar definitivamente
na cidade.
Aqui
ele iniciou a
construção
do maior
núcleo
de estudos
em
valores no Brasil
que
repercutiu em
todo
o país.
Mais
recentemente se vinculou também à Universidade
Católica de Brasília e ajudou na construção da linha
de pesquisa
em
Psicologia Organizacional. Entretanto, suas
contribuições vão
muito além
do seu
currículo.
O Alvaro como professor encantava pela sua serenidade e capacidade
de reflexão.
Suas
aulas sempre
levavam a discussões instigantes e a sua
imparcialidade
era
fundamental. Era
preciso que
cada um
tirasse as suas
conclusões,
jamais se poderia
esperar uma resposta
pronta vinda
dele. E o seu
acolhimento
às diversas opiniões dos seus alunos era um incentivo à nossa capacidade
de pensar. Somente depois de vários
anos de trabalho
conjunto aprendi a
decifrar
os seus
acordos
e desacordos,
mas
sempre com
uma cordialidade e respeito
ao outro poucas vezes
vistos.
O Alvaro como orientador
gerava a dúvida
necessária
em seus
orientandos para
que
pudessem construir de
forma
independente o seu
pensamento, mas
também gerava a
confiança
necessária para
que pudessem
prosseguir
na caminhada.
Nada
me comove mais
do que
lembrar
a sua
capacidade
em acreditar
no potencial dos
seus
alunos.
O Alvaro como pesquisador
se destacou pela
qualidade
do uso do
método,
pela relevância
das suas
pesquisas
e pela
formação
de pesquisadores
em
Psicologia Social
e do Trabalho.
Ele
se colocou como
um
dos grandes
pesquisadores
latino-americanos.
Além
dos seus trabalhos
sobre
temas tradicionais da Psicologia
como atribuição de causalidade e autoconceito, seus estudos na
área dos valores
foram importantes
para
a consolidação do
tema
no Brasil. Propôs uma teoria
inovadora de valores
organizacionais, que tem grande impacto na produção científica. Além
disso, formou e disseminou o interesse pelo estudo dos valores em psicologia social
e do trabalho por
todo o Brasil.
Hoje
é possível
localizar
pesquisadores em
praticamente todas as regiões
do país que foram
influenciados pela
sua
obra.
O Alvaro como colega de trabalho talvez seja o
Alvaro que
menos
conheci, já
que
a sua
enfermidade
me privou desse
convívio
de forma mais
intensa. Seus
colegas de longa
data sempre
comentam sobre
seus
posicionamentos
decisivos
nos impasses
e dilemas.
Suas
opiniões eram
muito
ponderadas e, por
isso,
muito respeitadas. No relacionamento com as pessoas,
a cortesia e a
ética
sobressaiam, além de uma incansável disponibilidade
para ouvir.
Ao descrever o seu trabalho, sempre o
fazia vendo mais
aspectos
positivos do que
negativos e a
felicidade
em ensinar
ficava evidente. O
seu
prazer em trabalhar inspirou um
dos seus
mais
recentes temas
de interesse, o
bem-estar
no trabalho. Para ele, o trabalho era muito prazeroso e ele
lutou até o
último
momento para continuar trabalhando, continuar
existindo. Cabe a nós a responsabilidade de disseminar
a sua
obra
e continuar seu
trabalho. Dou adeus
a um
grande
profissional e ser
humano e agradeço a
sua
grande
contribuição
à Psicologia.
Brasília, 02 de setembro
de 2007.
Juliana
B. Porto
Professora do Mestrado
em Psicologia
Universidade Católica de
Brasília
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